São Paulo caminha para uma das mais disputadas campanhas eleitorais

Caso sejam confirmadas tendências, três candidatos podem chegar no dia da eleição empatados tecnicamente em primeiro lugar

A cidade de São Paulo está prestes a presenciar uma das mais disputadas eleições de sua história. Caso confirme tendências, os três principais candidatos, Celso Russomanno (PRB), José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), tendem a chegar ao próximo domingo (7) empatados tecnicamente em primeiro lugar.

Nesta quarta-feira (3), o Instituto Datafolha divulgou pesquisa que aponta nova queda de Russomanno, a segunda seguida em cinco pontos percentuais. José Serra e Haddad mantiveram oscilações positivas, e Gabriel Chalita (PDMB) ganhou terreno.

“A candidatura de Russomanno perde penetração em pontos importantes, como na periferia. A liderança isolada dele, que chegou a ter 35% das intenções de votos, era muito mais por ele ser midiático e o desgaste natural do PT e do PSDB. Daí a manter este nível é outra história, e na medida em que o debate se ampliou e as propostas passaram a ser analisadas, o cenário mudou como era esperado”, constata Jacqueline Quaresmin, especialista em Pesquisa de Opinião, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP).

No certame apontado pelo Datafolha, Russomanno está com 25% das intenções de votos, empatado tecnicamente com Serra, que possui 23%, e está empatado tecnicamente na segunda colocação com Haddad (19%). Para a Jacqueline, a ascensão de Chalita, que foi para 11%, tende a tirar ainda mais votos de Russomanno, e embolar tudo de uma vez. Desde a redemocratização do País, em São Paulo, nunca um dos candidatos avançou ao segundo turno com menos de 30%.

“Existe uma grande possibilidade de haver empate técnico na liderança, se esta tendência for mantida, em que Serra e Haddad têm oscilações positivas, e Russomanno perdendo espaço, o que mostra que ele tem um eleitorado bastante volátil, comparado a fogo de palha, com ascensão rápida, mas que logo acaba”, pontua o cientista político da PUC-SP, Pedro Arruda.

Debate na Globo

Os analistas não acreditam que a ausência do debate na TV Globo tenha efeitos, tanto positivos, quanto negativos, para quaisquer candidatos. Queresmin observa que pelo horário, 23h, poucos eleitoresestivessem dispostos a assistir ao encontro entre os candidatos. “Para o eleitor médio para baixo, não faz tanta diferença, esta população não atinge o debate, que é muito tarde”, coloca. Pedro Arruda acrescenta que “faltando menos de uma semana para a eleição, uma grande parte dos eleitores já decidiram seu voto. Poderia influenciar os que estão indecisos, que não é um número expressivo”.

Ibope x Datafolha

Algo que chama a atenção a cada nova pesquisa divulgada são os números que destoam entre si. Para ficarmos em um exemplo, no último levantamento do Ibope, da semana passada, mostrava Russomanno com 27%, seguido por Serra (19%) e Haddad (17%). No Datafolha, os três estão quase que no mesmo patamar de intenções de votos.

O grande fato para estas diferenças ocorrem na metodologia aplicada em cada instituto. Queresmim, especialista em pesquisa de opinião, lembra que o Ibope faz pesquisas domiciliares, enquanto o Datafolha escolhe pontos de fluxo. Para Pedro Arruda, este é o principal indicador dos números diferentes em cada levantamento.

“Diferencia por que o Datafolha colhe informações em um universo distinto de eleitores, enquanto na pesquisa domiciliar, se for feito um bom mapeamento, de renda, escolaridade, idade, sexo, etc., tem-se um universo mais criterioso. No ponto de fluxo, isso pode indicar uma desproporção, com um eleitorado de determinado perfil que em via de regra pode se identificar com algum candidato”, explica.

 

Fonte:

http://www.panoramabrasil.com.br/politica/sao-paulo-caminha-para-uma-das-mais-disputadas-campanhas-eleitorais-id95810.html

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