Resultados do IRBEM

Fonte: IBOPE

 

CEO do IBOPE Inteligência avalia os índices da qualidade de vida em São Paulo
​”O monitoramento dos indicadores de qualidade de vida de São Paulo é um excelente instrumento de gestão”, afirma Márcia Cavallari.
​O IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município), divulgado em janeiro em São Paulo, traz a percepção da população quanto à evolução da qualidade de vida na capital paulista. Na entrevista abaixo, Márcia Cavallari, CEO do IBOPE Inteligência, responsável pela realização da pesquisa, em parceira com a Rede Nossa São Paulo, fala sobre os índices que mais se destacam no levantamento.

1- Quais as principais diferenças entre os resultados do IRBEM deste ano para o apresentado no ano passado?
Márcia Cavallari – O IRBEM avalia 169 itens relacionados à cidade, que são agrupados em 25 áreas. Neste ano, todas as áreas avaliadas na pesquisa apresentam piora. O índice atinge a média 4.7, numa escala de 1 a 10, onde 1 significa total insatisfação e 10, total satisfação. É a menor média registrada pela pesquisa desde 2009. Dos 169 itens avaliados, 82% deles apresentam médias inferiores ao ponto médio da escala (5,5), sendo que no ano passado, 74% dos itens estavam na mesma situação. Em contrapartida, tínhamos 22% desses itens acima da média e agora são apenas 17%. Essa é a pior medição que tivemos, com a piora sendo perceptível, principalmente, nas áreas mais periféricas da cidade.

2 – O que você acredita ter influenciado esses resultados negativos?
Márcia Cavallari – Uma parte disso é fruto da piora em relação à percepção da segurança em São Paulo. O IRBEM mostra que a sensação de insegurança em São Paulo aumentou, já que 9 em cada 10 paulistanos afirmam que São Paulo é um lugar pouco ou nada seguro para viver. E quando a gente pergunta do que as pessoas têm mais medo no dia a dia, a maioria responde que é da violência em geral (71%), de assaltos e roubos (63%) e de sair à noite (41%). Esse último índice é mais que o dobro do registrado em 2011 (20%). Você vê, com isso, que os arrastões nos restaurantes, as mortes de policiais, as chacinas e uma série de fatos que estão acontecendo na cidade acabam permeando toda a avaliação da qualidade de vida em São Paulo.

3- Além da segurança, há outros fatores que podem ser ligados à queda das médias? 
Márcia Cavallari – Outro item que piora significativamente é a questão do tempo de acesso aos serviços de saúde. No ano anterior, o tempo médio de espera para procedimentos mais complexos como internação e cirurgias, na rede pública, era de 146 dias, nesta edição essa média passa para 178 dias. O tempo médio para marcação de consulta também aumenta, passa de 52 para 66 dias e exames de 65 para 86 dias de espera. A piora na saúde também é sentida pelas pessoas com plano privado, pois a média era de 39 dias de espera para procedimentos complexos, número que agora é de 44 dias, mesmo assim, corresponde a um quarto do tempo do serviço público.

4 – No histórico do IRBEM, transparência e participação política aparecem sempre com as menores médias. Isso mudou?
Márcia Cavallari – Não, transparência e participação política na cidade continuam sendo as áreas com os piores índices de satisfação.

5 – Já as relações humanas e as atividades culturais sempre apresentaram bons índices de satisfação nas outras edições. Como estão essas áreas agora? 
Márcia Cavallari – Das 25 áreas analisadas pelo IRBEM todas oscilam negativamente em relação ao ano passado, umas mais, outras menos. Até nas questões pessoais, como as relações humanas na cidade, a média que era de 6.8 passa para 6.5. O mesmo acontece com o tema religião e espiritualidade, área de caráter pessoal também, com a média caindo de 6.4 para 6.0. Na área da sexualidade, a média vai de 5.7 para 5.4.

6- As variações nesses itens podem ser consideradas pequenas?
Márcia Cavallari – Estamos falando de médias, com oscilações negativas que variam de 0.1 a 0.9. Para uma média cair, é preciso que as notas dadas, que vão de 1 a 10, tenham diminuído. Isso significa que quem dava 10 para um item passou a dar 9, quem dava 9 passou a dar 8 e assim por diante. Essa mudança na distribuição das notas gera médias inferiores às do ano passado.

7 – Há algum item que apresentou melhora este ano?
Márcia Cavallari – Há itens isolados que melhoram um pouco, como punição da corrupção, quantidade de ciclovias na cidade e respeito ao pedestre.

8 – Podemos afirmar que a qualidade de vida piorou em São Paulo?
Márcia Cavallari – Quando você pergunta para os paulistanos se percebem melhora na qualidade de vida, 38% respondem que sim, no ano passado eram 44%. Já a porcentagem dos que afirmam que está igual aumenta, passa de 45% para 52%. Os que respondem que piorou ficam estáveis em 10% (eram 11% no ano passado). Mais gente deixou de responder que melhorou, para dizer que está igual. Outra questão é se a pessoa sairia ou não de São Paulo, índice que permanece estável, com 56% das pessoas dizendo que sim. Pode-se dizer que as oscilações negativas nos índices não são suficientes para aumentar o número de pessoas que querem sair de São Paulo ou para que as pessoas percebam uma piora significativa na vida aqui. Claro que se medidas não forem tomadas para que este quadro se reverta, haverá uma tendência da insatisfação aumentar cada vez mais a ponto de mais pessoas pensarem em sair da cidade.

9 – Qual a importância de indicadores como o IRBEM para o aumento da qualidade de vida em São Paulo?
Márcia Cavallari – O monitoramento dos indicadores de qualidade de vida de São Paulo é um excelente instrumento de gestão. Com ele podemos avaliar se as medidas adotadas por uma gestão pública surtem efeito ou não na percepção do cidadão. O IRBEM mostra ao novo prefeito as condições da cidade no momento de sua posse, auxiliando-o a enxergar os problemas que São Paulo tem, permitindo que ele tome decisões que possam reverter essa realidade de forma positiva. Ao criar o IRBEM, a Rede Nossa São Paulo teve como objetivo desenvolver um indicador que fosse um mecanismo de discussão pública para a mudança na qualidade de vida da cidade. A iniciativa já conseguiu fazer com que os prefeitos assumam planos de meta, coisa que no passado não existia. Temos uma evolução aí.

10 – Qual a complexidade de se mensurar a qualidade de vida da população numa pesquisa como essa?
Márcia Cavallari – No IRBEM, fazemos um levantamento da percepção que as pessoas têm sobre qualidade de vida na cidade de São Paulo, as percepções variam de cidadão para cidadão. Por exemplo, quando se pergunta se o cidadão tem um hospital perto de casa, há quem considere que sim, se consegue pegar um ônibus e chegar lá em meia hora, mas há quem possa achar que meia hora é muito tempo e considere não ter. De toda forma, os indicadores de percepção devem ser analisados em conjunto com os indicadores oficiais da cidade de São Paulo. Até o momento, ambos os indicadores apontam para o mesmo resultado.

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