Poder de consumo de moradores das favelas

Fonte: Epoca

 

Consumo popular triplicou nos últimos dez anos

 

Os moradores das favelas brasileiras consomem cerca de R$ 56 bilhões por ano, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Bolívia, segundo pesquisa realizada pelo instituto Data Popular, em parceria com a Central Única de Favelas (Cufa), divulgada nesta terça-feira (20). De acordo com o estudo, feito a partir de entrevistas e do cruzamento de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) com os da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o consumo popular triplicou nos últimos dez anos. 

A pesquisa revela que a classe C cresceu muito mais nas comunidades das metrópoles do que no interior do país, com alta de quase 50% na última década, assim como a média de escolaridade, que subiu de quatro para seis anos no mesmo período. 

O dono da empresa Vai Voando, Tomas Rabe, é um dos empresários que apostou no consumidor de baixa renda. Com cerca de 70 lojas de vendas de passagens áreas somente em favelas, sobretudo do Rio e São Paulo, a empresa, criada há pouco mais de dois anos, tem planos de abrir mais 50 lojas este ano. “Este mercado é invisível para quem não está atento”, disse o empresário. A empresa embarca hoje uma média de três mil passageiros por mês.

Para Rabe, é importante se adequar aos hábitos de consumo e à realidade dessa população. “A maioria não usa cartão de crédito e muitos não têm nem conta em banco. Então, nossa forma de pagamento é por boleto pré-pago”, afirmou. 

Segundo o estudo, 69% dos moradores das favelas brasileiras usam dinheiro como forma de pagamento, 9% cartão de crédito de terceiros e 10% cartão de crédito próprio. Quase 70% de quem vive nas comunidades vão ao shopping toda a semana e metade come fora semanalmente. Nos próximos 12 meses, 49% pretendem comprar móveis; 36% querem um novo eletrodoméstico e 24% pretendem contratar serviços de TV por assinatura.

O empresário Elias Targilene também investiu nas classes C, D e E. Dono de cinco shoppings populares, Targilene pretende lançar em três meses o primeiro shopping dentro de uma favela, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio.  

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