Pesquisa eleitoral: verdade relativa

Fonte:

http://www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/98285-pesquisa-eleitoral-verdade-relativa

 

Na época das eleições o assunto “pesquisas eleitorais” ganha espaço acima do normal na mídia. Os resultados de cada pesquisa dão margem às mais diversas opiniões e afirmações, mas os comentários revelam pouco conhecimento da técnica de pesquisa.

Os dirigentes partidários e os candidatos que não ocupam o primeiro lugar, ou lugar de destaque, no item intenção de voto, tendem a duvidar dos resultados e até da correção das  pesquisas.

E vários jornalistas fazem comentários equivocados quanto aos procedimentos técnicos e aos resultados das pesquisas. Vamos colocar aqui alguns pontos fundamentais quanto à atividade e técnica das pesquisas eleitorais.

O primeiro diz respeito ao princípio de honestidade dos institutos de pesquisa. Sem dúvida há alguns desonestos, que “vendem” resultados, acreditando que vão influenciar parte das intenções de voto.

Quase nenhum dos prejudicados pelos resultados tidos como falsos acionam os canais da Justiça Eleitoral para esclarecer dúvidas. Aliás, além da Justiça Eleitoral, também a ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) pode  ser acionada para esclarecer as técnicas aplicadas nas pesquisas.

Outra questão importante é quanto à natureza  das pesquisas de mercado e de opinião pública (eleitoral). Elas devem ser consideradas de modo diferente. Uma pesquisa de mercado, por exemplo, que levanta e mede  o potencial de vendas de  um produto novo a ser lançado, é um prognóstico. Quando se trata de produto já existente, a pesquisa para medir o índice de participação no mercado é um diagnóstico.

No caso das pesquisas eleitorais também há os dois tipos. As realizadas antes das eleições são prognósticos, que podem ou não se concretizar.

Já as pesquisas do tipo boca de urna são diagnósticos, pois medem o que acabou de acontecer. Às vezes, ocorrem erros.

Há jornalistas que se enganam feio ao escrever sobre pesquisas eleitorais.

A maioria não tem formação em estatística, técnica de pesquisas e de sociologia. Quando fui presidente da antiga Abipeme, atual ABEP, organizei um seminário/curso sobre pesquisas para jornalistas. Era gratuito e mesmo assim, pasmem: só se inscreveram cinco!

Acabamos de viver uma das eleições mais curiosas na capital paulista. Até 40 horas antes da votação o cenário era totalmente favorável ao candidato Celso Russomanno, revelado pelas pesquisas. Estas não se confirmaram. Mas elas eram prognósticos e não pesquisas erradas.

As  últimas pesquisas divulgadas mostravam, praticamente, um triplo empate técnico, que também não se confirmou.

E ao fim da votação foram divulgados resultados de boca de urna, com resultados quase iguais aos oficiais. Estas pesquisas devem ser consideradas diagnósticas, com margens de erro  tecnicamente corretas.

Aguardemos agora o segundo turno e vejamos quais prognósticos serão confirmados, transformando-se  assim em diagnóstico.

 

Francisco José de Toledo é presidente da Toledo&Associados.

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