Perfil de eleitor diferencia PT e PSDB

Fonte:

http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/eleicoes/story.aspx?cp-documentid=254463394

 

Os “muros que separam a cidade pobre da rica”, citados no primeiro discurso de Fernando Haddad após a vitória em São Paulo, estão claramente demarcados no mapa da eleição, que, mais uma vez, mostrou dois padrões opostos de votação no centro e na periferia. Nas zonas eleitorais onde o petista venceu, a renda média é de R$ 2.227,57. Onde o tucano José Serra ganhou, a média é 137% maior: R$ 5.286.

Os mapas publicados nesta página mostram ainda duas outras variáveis correlacionadas com o resultado eleitoral: concentração de população preta ou parda e proporção de moradores com mais de 65 anos.

As pesquisas Ibope/Estado/TV Globo realizadas no 2.º turno, ao segmentar o eleitorado por idade, mostravam que José Serra só liderava entre os paulistanos com mais de 50 anos.

De fato, ele se saiu melhor nas zonas eleitorais com maior proporção de idosos – quase todas elas localizadas na área central e na zona oeste da cidade.

Mais do que isso, a estatística mostra uma correlação fortíssima entre o voto em Serra e a proporção de idosos na população. Ela fica em 0,97 em uma escala que vai de -1 a 1. Ou seja, quase no nível máximo. Em termos estatísticos, quanto mais próximo o resultado for de 1, maior a correlação – considera-se que é “fortíssima” quando fica entre 0,90 e 1.

A zona eleitoral em que Serra ganhou com maior porcentual (78%), Jardim Paulista, é também a que tem maior fatia de moradores idosos – 16%, o dobro da média da cidade.

Cor. No lado de Haddad, a estatística mostra correlação “fortíssima”, também de 0,97, entre voto no PT e proporção de pardos e pretos na população. Grajaú e Parelheiros, as duas zonas onde Haddad colheu seus melhores resultados, estão entre as cinco com maior porcentagem de moradores pretos e pardos. No outro extremo, Jardim Paulista, a zona com maior proporção de brancos (92%), foi a que deu menos votos ao petista, em termos proporcionais (22%).

No caso da renda, quanto mais os moradores ganham, maior é o porcentual de votos de Serra. Nesse caso, a correlação é de 0,82 – índice considerado “forte” em termos estatísticos.

A análise do perfil social das zonas é possível graças a uma metodologia desenvolvida pelo Ibope em parceria com o Estadão Dados. O Ibope promoveu um casamento de duas bases de dados: a de resultados eleitorais e a do perfil socioeconômico dos moradores por setor censitário, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com ferramentas de georreferenciamento, o Ibope associou os 1.905 locais de votação nas 58 zonas eleitorais da capital com os 13.193 setores em que os bairros foram divididos para a realização do Censo 2010. Com isso, tornou-se possível cruzar o voto com dados socioeconômicos como renda, sexo, idade e raça.

Segundo a diretora executiva do Ibope, Marcia Cavallari, o fenômeno da “clivagem social”, presente em São Paulo, vem sendo observado em outros lugares e com frequência cada vez maior.

Ela citou os casos de Salvador e São Luís, onde, no 2.º turno, eleitores das zonas ricas e pobres tiveram comportamento diametralmente oposto. Lembrou ainda as eleições presidenciais de 2006 e 2010, nas quais o PT teve votação maior nas áreas mais pobres do País. / COLABOROU AMANDA ROSSI

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