O que o Brasil acha do Brasil

Fonte:

http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/Marcello-Dantas-explica-a-criacao-da-mostra-Opiniao-O-que-o-Brasil-acha-do-Brasil.aspx

 

Marcello Dantas explica a criação da mostra “Opinião – O que o Brasil acha do Brasil”

Em entrevista, curador fala sobre os desafios e processos para a montagem da exposição.
​Marcello Dantas, criador da mostra “Opinião – O que o Brasil acha do Brasil”.

Designer, diretor de documentários e curador de arte. A multiplicidade faz parte do currículo de Marcello Dantas. Formado em Cinema e Televisão pela New York University, nos Estados Unidos, ele também estudou Relações Internacionais e Diplomacia, em Brasília, e História da Arte e Teoria de Cinema em Florença, na Itália.

No Brasil, Dantas é o responsável pela criação de espaços como o Museu da Língua Portuguesa e o Museu do Homem Americano. Em sua carreira profissional, figuram prêmios e a curadoria de exposições como “50 Anos de TV e +”, na Oca do Parque do Ibirapuera, “Paisagem Carioca”, no MAM do Rio, e “Mano a Mano”, no Centro Cultural de la Villa em Madrid, na Espanha.

Com toda essa experiência, coube a Dantas a concepção artística da exposição “Opinião – O que o Brasil acha do Brasil”, que comemora os 70 anos do IBOPE.  Na mostra, o curador demonstra destreza e sensibilidade para transformar os números e dados da empresa em obras e instalações que criam um dinâmico retrato da sociedade brasileira.

Em entrevista ao portal do IBOPE, Dantas conta sobre o processo criativo e os desafios da montagem da exposição, que fica aberta ao público até 18 de novembro, no Catavento Cultural e Educacional, em São Paulo.

Qual foi o maior desafio em criar a exposição “Opinião- O que o Brasil acha do Brasil”?
Marcello – Foi encontrar uma linguagem que conseguisse trazer o mundo árido dos números de volta à realidade de onde eles foram pesquisados.  Recriar uma simulação de mundo real com base nas pequenas amostras de opinião. Essa foi a senha.
Com a complexidade do acervo do IBOPE, qual foi o critério utilizado para escolha do que entraria ou não na exposição?
Marcello – A escolha foi feita a partir do que imaginamos ser a sociedade: a TV, o radio, os mercados, os produtos, as opiniões sobre temas tabus.  Coisas maiores que expressam que sociedade é essa. Ai sim, fomos ao acervo buscar esses números.
Quanto tempo foi necessário e quais as fases para a criação da mostra?
Marcello – Do conceito à implementação demorou um ano.
Além do coreano Nam June Paik, fonte de inspiração para os robôs, quais outras referências você utilizou na criação da exposição?
Marcello – Ele foi meu mestre e achei que seus robôs personificavam os nossos homens-números, pessoas feitas de mídias.  Foi a única referência externa que usei. O resto saiu da minha cachola mesmo.
A interatividade é um recurso constante na mostra. Em algum momento você imaginou fazer a exposição sem essa interatividade? Por que escolheram esse caminho?
Marcello – Seria bem difícil.  Pois ficaria seco e sem o uso da mídia e da capacidade de cada um customizar a experiência, a exposição seria excessivamente parcial. Não seria a mesma exposição e corríamos o risco de perder o público-alvo.
A exposição se divide em partes distintas entre si. Qual a sua preferida? Por quê?
Marcello – Essa pergunta não se faz. Mas gosto dos “Pitacos”, do “Supermercado” e do “Dados de Dados”, porque acertam bem o sentido do projeto: opinião, consumo e estatísticas.
O Catavento é um museu que valoriza o conhecimento e muita gente não vê relação entre arte e ciência. Para você, qual é o papel da arte e do lúdico no aprendizado científico? Onde na exposição isso fica mais evidente?
Marcello – Para mim, ou se aprende de forma multidisciplinar ou não se aprende.  Esse é o eixo do conhecimento hoje.  Aprender história através da química, química através da culinária, física na politica, sexo na arte, filosofia na educação física.  O Catavento permite isso.
Na sua história profissional, você já criou exposições sobre grandes nomes e empresas, como esse trabalho se difere dos outros que você já realizou?
Marcello – Nunca fiz dois trabalhos iguais. Todos eles são tão distintos.  Mas esse se destaca por estarmos pesquisando uma matéria árida e intangível e ainda assim conseguirmos resultar em uma exposição divertida e interessante.

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