O “pensar fora da caixa” e as boas perguntas

A constante inovação e até mesmo melhoria em produtos, serviços e processos, tornou-se uma necessidade declarada por parte das organizações para o sucesso e sobrevivência em mercados cada vez mais competitivos.

Essa necessidade de escapar do pensamento convencional e romper paradigmas nos leva a uma expressão bem conhecida no mundo mercadológico, o “pensar fora da caixa”. Mas como fugimos de pensamentos dominantes para obtermos soluções inovadoras?

A resposta é simples: iremos chegar a outro nível de solução quando fizermos as perguntas certas.

Para pensarmos fora da caixa precisamos de perguntas vigorosas, que nos desafiem e nos elevem a outro nível de pensamento, pois como Einstein já  ressaltou: “Os problemas não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento que os criou.” Essas perguntas precisam ir além das restrições impostas da maneira que pensamos, dando a possibilidade de respostas que explorem novos caminhos e possibilidades.

As perguntas vigorosas aumentam drasticamente nossas percepções e qualidade de reflexão, o que gera níveis maiores de ideias que levam a  inovação. Sendo assim, de acordo com os estudos de Eric E. Vogt e sua equipe, para explorarmos o potencial de boas perguntas, devemos nos basear em uma estrutura de perguntas arquitetadas em três dimensões: construção, escopos e suposições.

Dimensão 1: A construção da pergunta

O modo que fazemos as perguntas podem fechar totalmente as possibilidades de respostas, caindo assim na “mesmice” do sim ou não. Comece com uma boa construção para abrir diversas possibilidades na resposta. Veja na sequencia abaixo como podemos explorar respostas com perguntas mais reflexivas e estimulantes. A cada nível, nota-se uma pergunta que cria um pensamento mais criativo:

  • Você está satisfeito com nossos serviços?
  • Quando você teve a maior satisfação com nossos serviços?
  • O que em nossos serviços você considera mais satisfatório?
  • Por que será que nossos serviços têm seus altos e baixos?
  • Como podemos melhorar nossos serviços aos clientes?

Atente-se apenas em fazer perguntas estruturadas com base no problema que deve ser resolvido.

Dimensão 2: O escopo da pergunta

Precisamos ter um escopo que se adeque às nossas necessidade além do cuidado nas palavras. Observe a sequencia abaixo:

  • Como podemos melhorar a qualidade do produto X?
  • Como podemos melhorar a qualidade de nosso departamento?
  • Como podemos melhorar a qualidade de nossa empresa?

Com o escopo acima, temos desafios ampliados, que abrangem um nível de solução de problemas maior. Com isso, a percepção do problema aumenta e pode ser resolvido a partir de outro ponto antes não notado.

Defina um escopo realista, que esteja dentro das suas necessidades, não vá além e nem fique aquém. Porém, dê possibilidades maiores para sua análise.

Dimensão 3: As suposições embutidas na pergunta

Estamos sempre propícios a fazermos perguntas que restringem a exploração de ideias. Quase todas nossas perguntas trazem embutidas suposições, que podem ou não, serem compartilhadas com o grupo envolvido na exploração dessas novas ideias.

Para termos perguntas vigorosas é preciso estar cientes das suposições e saber usá-las adequadamente. É importante analisar as perguntas para enxergar como essas suposições (e crenças) podem influenciar na exploração de novos caminhos. As boas perguntas:

  • Ampliam as perspectivas e estimulam a cooperação entre os envolvidos.
  • Não incluem soluções e nem direcionam ou limitam a exploração de alternativas.
  • Não incluem suposições ou suspeitas de erros e culpas e evitam atitudes defensivas.

Ao esclarecermos ou alterarmos suposições, podemos mudar o contexto da pergunta para criarmos novas possibilidades de pensamento e inovação. Compare as duas perguntas abaixo:

  • Como podemos nos tornar o melhor departamento da empresa?
  • Como podemos nos tornar o melhor departamento para a empresa?

Existe uma disparidade entre as perguntas, a primeira limita as ideias do debate, enquanto a segunda as amplia trazendo uma abrangência maior para tal empresa como todo.

Boas perguntas nos ajudam a romper bloqueios mentais. Essas três dimensões nos ajudam a estruturamos e explorarmos melhor nossas perguntas, gerando ideias e aumentando nossa habilidade criativa e inovadora.

Vamos a partir de hoje “pensar fora da caixa”?

 

Esse texto foi baseado no artigo de Jairo Siqueira, engenheiro e desenvolvedor do conceito Criatividade Aplicada. Se quiser ler o artigo na íntegra escrito pelo autor, clique aqui.

http://www.ideiademarketing.com.br/2012/01/26/o-pensar-fora-da-caixa-e-as-boas-perguntas/

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