Mundo Disruptivo. O Impacto da tecnologias no mercado e nas relações de consumo

Automóveis que voam, máquinas que aprendem, realidade virtual, tecnologias vestíveis (wearables) e internet das coisas (IoT) estão revolucionando o mercado, as relações de consumo e a comunicação entre as pessoas. É a chamada disrupção, conceito criado há 20 anos pelo americano Clayton Christensen e que se caracteriza pelo surgimento de negócios inovadores, empoderamento do consumidor e por uma sociedade cada vez mais hiperconectada.

Palavra do momento, a disrupção consiste na ruptura de modelos de negócios, impactando principalmente os líderes de mercado e criando novas conexões. “Acaba com um determinado setor econômico e cria, em cima dessa ruína, um novo setor”, explica Roberto Kanter, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) na área de Marketing e Vendas e diretor da Canal Vertical, empresa que trabalha com inovação e marketing. “Disruptura não é criar novo serviço, mas destruir para criar algo novo sobre o que existia”, observa.

Kanter esclarece que a inovação atua em três níveis: incremental, radical e disruptivo. A mais comum é a inovação incremental, que melhora o produto ou serviço, mas a estrutura permanece. A inovação radical também mantém o conceito original, mas muda radicalmente o produto. Exemplo disso seriam as lâmpadas LED, que continuam com a função de iluminar, mas modificam o produto gerando mais economia e sustentabilidade.

A inovação disruptiva, por sua vez, não apenas cria novo produto, mas uma outra indústria, explica o professor, citando o carro autônomo. A inovação repercute em, no mínimo, dez mercados, como o setor de seguradora, locadora, financeiro, varejo e até na área da saúde. Para o professor, a grande disrupção do mercado, porém, é o empoderamento do consumidor, sendo o telefone celular a maior expressão dessa mudança. “Muita gente fala sobre o aplicativo em si, Uber, Netflix, Airbnb. Mas tudo são meios de uma expressão do consumidor”.

Esse empoderamento só foi possível graças à democratização da informação, que também permitiu mais liberdade de escolha, mudando assim o controle das decisões. Antes o poder concentrava-se na indústria, depois migrou para o varejo e hoje está na mão do consumidor. “O morador do interior, por exemplo, independentemente de possuir ou não dinheiro, não tinha acesso a produtos. Atualmente, o telefone com internet permite comprar de qualquer lugar do mundo. É nessa hora que os aplicativos e inovações passam a ter eco”, diz.

 

O contexto de disrupção afeta principalmente quem está na liderança do mercado. Portanto inovar é uma questão de sobrevivência, aponta Raphael Gonçalves, diretor-executivo da Casa Azul Ventures, aceleradora de startups formada pelo Grupo O POVO de Comunicação e a EloGroup. “É uma questão de olhar para o futuro e saber se posicionar. Antigamente, as curvas de negócio eram mais longas. Hoje são mais próximas”, analisa.

Ele cita as principais disrupções que ocorreram no mercado nos últimos anos. O Spotify mudou a forma como consumimos música, o Airbnb rompeu com modelo de hotel sem ter estrutura própria, a Uber trouxe uma outra estrutura sob demanda na área de transporte particular. O WhatsApp, por sua vez, alterou as relações e a comunicação entre as pessoas. Já o Waze mudou completamente o jeito que o condutor se guia no momento em que dirige. E o Nubank, embora no conceito não seja disruptivo, entendeu mais rapidamente a “dor” do cliente, que não queria taxas altas, mas a facilidade de um banco digital.

Os novos comportamentos do consumidor têm orientado, assim, o desenvolvimento das tecnologias. As pessoas buscam mais colaboração, compartilhamento, propósito, negócios conscientes e valorizam o movimento maker (faça você mesmo). “Tudo isso é capitalizado por essas tecnologias que a gente vê hoje”, assinala o diretor-executivo da Casa Azul. Neste processo, as startups exercem papel importante, impulsionando a disrupção. “Pensam em negócios mais conectados com o cliente, ligados à digitalização e tecnologias inovadoras”, acrescenta.

 

CONCEITO

O termo “disrupção” foi cunhado pelo professor de Harvard Clayton Christensen.

É usado para descrever inovações que oferecem produtos acessíveis e criam um novo mercado de consumidores, desestabilizando as empresas que eram líderes no setor

 

Fonte: O Povo

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