Estamos nos afogando num mar de informações, o que podemos fazer?

conversa nos comentários da última tradução rolou muito bem, obrigado. Argumentando sobre o poder da simplicidade, chegamos à conclusão de que um dos nossos maiores desafios é nos encontrarmos em meio ao mar de informações onde estamos metidos.

Surgiram diversos métodos. A maioria deles aliado a uma bela limpeza no Facebook. Alguns, mais radicais, aboliram completamente a rede social do Mark. E diante de tudo isso, não coube outra coisa se não aprofundar a discussão do assunto.

É por isso que hoje trazemos o artigo do Clayton d’Arnault originalmente publicado em inglês no Digital Culturist e mais uma vez traduzido pela Julia Barreto.

Seguimos a prosa mais adiante, nos comentários, com algumas ideias em mente.

Se afogando num mar de informações, por Clayton d’Arnault

A sobrecarga de informação é algo que vem me incomodando faz um tempo. Mas só foi recentemente que decidi separar um tempo para entender por que o meu cérebro não funciona mais do jeito que costumava funcionar. Eu precisava disso para entender a mim mesmo. O primeiro passo para admitir que você tem um problema é entender esse problema. E eu tenho um problema de informação. Essa é a missão de um millenial para entender o excesso de informação ao mesmo tempo em que luta contra ele. Aqui está tudo o que aprendi.

***

Tente lembrar a última vez que o seu celular não foi a primeira coisa que você pegou pela manhã. Eu não consigo me lembrar de um tempo que não houve.

Toda manhã meu despertador toca às 6h30. Antes que eu arraste meu corpo molenga de debaixo da segurança do meu cobertor quentinho, pego meu celular, deixo-o a centímetros do meu rosto e começo a ver qualquer coisa que perdi durante a noite. Isso não é só o começo da minha rotina matinal, mas também um comportamento rotineiro durante o resto do meu dia — checando, coletando e consumindo conteúdo obsessivamente até eu fechar os olhos e tentar desconectar meu cérebro para dormir. Esse comportamento é chamado de infomania, definido como “desejo compulsivo de checar ou acumular notícias e informações, comumente via celular ou computador”.

Infomaníacos como eu são propensos a sentirem os efeitos da sobrecarga de informação, um fenômeno causado por uma overdose de informação, desenvolvidos supostamente desde o século III a.C., quando a escrita nos permitiu registrar e preservar informação por mais tempo que nossa memória conseguia. Sobrecarga de informação é uma condição mental e fisicamente desgastante. Os sintomas incluem pensamento lento, cabeça rodando e criatividade reprimida.

Depois de um longo dia de consumo digital, me sinto gasto. Mesmo assim, não importa o quão sobrecarregado ou exausto eu me sinta, continuo voltando para mais conhecimento, mais atualizações, mais memes, mais conteúdo. Mas não estou retendo nada disso. Em vez de realmente absorver informação, estou consumindo o máximo que posso, sempre que posso — alimentando o FOMO, digamos assim. Todo dia é uma luta para achar o equilíbrio certo entre informação-vida.

Para entender o porquê de eu ter tanta dificuldade com a sobrecarga de informação, pensei em começar analisando a causa fundamental.

Entendendo a causa

Se infomania tivesse uma receita, iria precisar de duas frações de necessidade humana básica e uma fração de progressão regular da tecnologia. Isso porque: de acordo com a hierarquia de necessidades de Maslow, existem cinco estágios de necessidade que motivam seres humanos.

Dois desses estágios, vínculo social e auto-atualização (mais especificamente a busca por conhecimento), deixam claro porque somos viciados na internet. Ela mais do que satisfaz essas necessidades ao oferecer uma conexão ilimitada com família e amigos, amantes e cônjuges, pensamentos, ideias, teorias, opiniões, dados e outros recursos inestimáveis. É a solução perfeita — vínculo social e conhecimento infinito sob demanda.

Somado a isso, nós continuamente criamos novas maneiras de estender o benefício da internet em nossas vidas através, em geral, de novos dispositivos e aplicações. Ela agora viaja conosco para qualquer lugar: em nossos bolsos, pulsos, em nossos carros e aparelhos domésticos, e mesmo em nossos corpos (apesar deste último ainda não ser muito mainstream).

A tecnologia é tão profundamente integrada em nossa sociedade e cultura, que a funcionalidade humana moderna depende dela para praticamente todos os aspectos de nossas vidas.

Com cada minuto que se passa, o Santo Graal de informação rapidamente se torna um vórtex inevitável de informação. Para ter uma ideia do tamanho da minha dívida pessoal, a seguir está uma contabilidade recente do meu vórtex de informação.

  • Tenho 380 links acumulados na minha conta Pocket (isso depois da limpeza da primavera).

  • Eu assino 37 podcasts (dos quais eu ouço 6 – chegarei a esses 30 algum dia).

  • Assino 37 newsletters.

  • Sigo 67 RSS feeds (de vários assuntos, apesar de vários deles postarem o mesmo conteúdo).

  • Eu navego por 7 plataformas sociais diferentes (Instagram, Facebook, Twitter, Snapchat, Tumblr, Reddit e Medium – considere também quantas fontes sigo em cada).

  • Atualmente tenho 61 janelas guardadas na extensão do Chrome OneTab para referências futura.

Nota: esses números estão sujeitos a alterações diárias.

>>> matéria completa no Papo de Homem – Acesse aqui! <<<

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