Como o consumidor brasileiro mudou nos últimos 50 anos

Fonte: O Povo

 

Livro aponta principais mudanças no comportamento do consumidor brasileiro mas últimas cinco décadas e analisa para quais cenários essas transformações sinalizam. O idealizador da publicação fala ao O POVO

 

O que mudou nos hábitos de consumo do brasileiro nas últimas cinco décadas? Como os meios de comunicação refletiram estas mudanças? E para onde elas apontam? Responder a estas perguntas é a principal missão do livro 50 anos de Pesquisa Marplan, que está sendo lançado nacionalmente, para celebrar o primeiro meio século de existência deste instituto de pesquisa.

 

Em entrevista exclusiva ao O POVO, o diretor de contas da Ipsos Marplan e idealizador do projeto do livro, Diego Oliveira, explica o conceito que norteou a publicação e analisa o significado das mudanças. “É muito mais do que o mero registro histórico dos fatos ocorridos nos últimos 50 anos. É um mergulho em números, história e comportamentos, resgatando o passado com o olhar no futuro”.

 

O POVO – A Ipsos Marplan está comemorando 50 anos de atuação. Quais as principais mudanças comportamentais do consumidor ela registrou ao longo desse período?

Diego Oliveira – Acredito que as principais mudanças estão relacionadas à liberação do polo de emissão dos meios de comunicação – o que transformou os consumidores em prossumers – agora também produtores de conteúdo. Em paralelo, o consumidor das mídias tornou-se o dono da ‘iniciativa’. Ele não quer mais se submeter, e não se submete mais: agora ele escolhe os programas e os conteúdos para assinalar a sua independência e chega até a organizá-los para declarar sua personalidade de maneira mais completa. Isso diz respeito a todas as mídias especializadas ou de grande público, escritas ou eletrônicas, mas, principalmente, às digitais.

 

OP – Como a mídia acompanhou estas mudanças?

Diego Oliveira – Como as audiências evoluíram de uma recepção de massa para um consumo cada vez mais individualizado dos meios, as mídias estão se esforçando para dialogar com os consumidores e oferecer opções mais customizadas e sob demanda.

 

OP – O que mudou na área de pesquisa ao longo deste tempo?

Diego Oliveira – Na primeira pesquisa Marplan, em 1959, o Brasil era agrupado entre ricos, pobres e classe média. E os parâmetros para definir isso eram de posse de bens: quem tinha até cinco itens da lista (que incluía geladeira, aspirador, máquina de costura, criados em casa, entre outros) era “pobre”; quem tinha de seis a 10 itens era “classe média”; quem tinha mais de 11 itens era “rico”. Em 1960, 50% da população brasileira era “pobre” e os lares tinham mais máquinas de costura do que geladeiras… Hoje, além das classes A, B, C, D e E, trabalhamos com parâmetros de macro e microsegmentos – o que possibilita agrupar os consumidores por comportamentos, ethos, estilo de vida e aspirações.

 

OP – Quais são as principais questões a serem respondidas na área de pesquisa nos dias de hoje?

Diego Oliveira – Quem exatamente são esses novos consumidores. A nova realidade, pautada na “centralidade no consumidor”, solicita de nós o entendimento e a capacidade de direcionar o alcance desejado de potenciais consumidores, ao mesmo tempo em que medimos os resultados.

 

OP – Qual avaliação que o senhor faz da atuação da Ipsos Marplan nestas cinco décadas?

Diego Oliveira – Revelamos hábitos e comportamentos e estes revelam desenvolvimento, mudanças e configurações sociais. Dessa forma, os estudos Ipsos Marplan possibilitam revelar o desenvolvimento do País. Hoje, por exemplo, os estudos Marplan são realizados sobre uma base single source, na qual os dados de mídia, consumo, atitudes e estilo de vida são coletados a partir de uma mesma amostra (cerca de 58 mil entrevistas), com pessoas acima de 10 anos e de todas as classes econômicas, disponibilizando nformações contínuas nos 13 principais mercados brasileiros.

 

OP – Como o livro que o senhor está lançando pode ajudar para a compreensão da sociedade brasileira?

Diego Oliveira – O livro nos permite uma imersão na história de cada um de nós além de nos possibilitar um olhar peculiar para o futuro. O livro vai além de mergulhar no universo de números e métricas, ele revela uma série de acontecimentos que marcaram o nosso País e o mundo e nos traz percepções muito importantes. Uma delas, por exemplo, é a constatação de como a pesquisa evoluiu, pois fica muito claro que o nosso papel, através dos números que revelamos, é o de mostrar toda essa evolução e, quando pensamos em evolução, entendemos que ela é pautada na capacidade humana, de ter evoluído conjuntamente.

 

OP – Como o senhor vê o mercado de Fortaleza na atualidade em relação ao mercado brasileiro?

Diego Oliveira – Um mercado em constante evolução. Tem acompanhado e até superado, em algumas esferas, a média de crescimento do consumo brasileiro. É também um mercado com bons índices de desenvolvimento e participação no crescimento do Nordeste como um todo.

 

Quem

 

ENTENDA A NOTÍCIA

 

Diego Oliveira é diretor de contas da Ipsos Marplan, onde trabalha há 12 anos. Mestrando em Comunicação pela Cásper Líbero (SP), pesquisador do Grupo de Pesquisas do CNPq/UFPE Publicidade nas Novas Mídias e Narrativas de Consumo

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