Bain analisa como a Geração Z se relaciona com a moda

Relatório feito em parceria com a Depop e Vogue aponta o que as marcas podem esperar da próxima geração de consumidores

Crescendo em uma era de transformação e mudança digital, a Geração Z desenvolveu uma maneira interconectada e fluida de processar o mundo, em vez de digeri-lo por meio de uma estrutura binária. Para entender as peculiaridades destes jovens consumidores, a Bain, em parceria com Depop e Vogue, preparou um relatório com base em um levantamento feito com mais de 2 mil usuários do Depop nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália.

A GenZ está desconstruindo as normas de gênero binário, mostrando sensibilidade para pessoas que não se identificam desta forma. Para eles, não se trata disso ou daquilo, mas sim disso E daquilo. Essa mentalidade representa uma mudança de paradigma quando comparada às gerações anteriores e os diferencia como um grupo distinto de pessoas, apesar de suas diferenças de cultura, idioma ou raça.

O relatório explora ainda como essa mentalidade mudou a concepção de empatia, auto expressão, troca e novidade. Ao examinar a interação e consumo em plataformas físicas e digitais, fica claro que tudo está muito misturado e as barreiras que separam comércio, entretenimento e conexão foram rompidas. A Geração Z está reimaginando novidades na moda para atender às suas necessidades e valores, e valorizando cada vez mais os aspectos sociais e sustentáveis do que consomem. 

O relatório aponta quatro principais destaques:

  1. Empatia e consciência
  • Os jovens da Geração Z são empáticos com a complexidade e diversidade de identidade humana. Eles tendem a ter uma noção mais fluida do que a atração sexual significa, e são relutantes em rotular a sexualidade, em comparação com as gerações anteriores. 
  • 75% dos entrevistados dizem que sua raça, gênero ou sexualidade não podem ser facilmente categorizados
  • 60% dizem que sua identidade abrange raça, cultura ou línguas
  • Também desafiam os estigmas associados à saúde mental. Estão mais dispostos a reconhecer e discutir saúde mental como algo comum. 
  • Reconhecem os aspectos positivos e negativos das mídias sociais e estão alertas quanto a privacidade de dados a bem estar social.
  1. Autoexpressão
  • Seus perfis de mídias sociais tendem a se destacar mais, em comparação com os millennials. Podem ser mais autênticos e espontâneos, com menor preocupação com filtros e curadoria. 
  • Em relação à moda, circulam entre colaborações, vintage e streetwear. Procuram marcas para buscar tendências e inspiração enquanto escolhem como se estilizar.
  • Eles tendem a definir e refinar sua individualidade através de conversas com outras pessoas. Dentro desta mentalidade, a comunidade não se extingue, mas amplifica a auto-expressão. 
  • Em questões sociais, como desigualdade racial e mudanças climáticas, adolescentes e jovens adultos demonstram o poder da sua voz em números, não apenas em espaços digitais mas físicos também. Guiado pela crença que os “erros” de hoje se tornam os “fardos” de amanhã, Gen Z está mostrando ao mundo que cada indivíduo tem o poder de falar.
  • 70% acreditam que podem fazer parte de um movimento social, mesmo que eles participem apenas por meio das mídias sociais 
  1. Troca e interconexão
  • A forma como o indivíduo interage com o mundo e a economia, como consumidores e produtores.
  • As plataformas digitais se espalharam por todas as indústrias e experiências: moda e varejo, jogos e música, redes sociais e muito mais. Para os consumidores, essas mesmas plataformas oferecem uma infinidade de oportunidades, incluindo conexão, entretenimento, educação, ganhar dinheiro e construir suas marcas pessoais. As plataformas vencedoras foram capazes de centralizar sua experiência na troca e engajamento, comunidade e conteúdo (criado pelo usuário).
  • A Gen Z consome simultaneamente e produz: trocar ideias, produtos e serviços em plataformas mais do que em outras gerações. Está usando a mesma plataforma para fazer muitas coisas: criar e buscar inspiração; ganhar acesso e compartilhar informações; gastar e ganhar dinheiro; encontrar comunidade e gerar negócios. 
  1. Reimaginando novidades
  • A geração Z reage fortemente a como as marcas vão responder aos temas relevantes, avaliando se o ativismo da marca é autêntico ou exibicionista. Entre estes aspectos, o apelo social e sustentável são os mais relevantes. 

Esta geração é a mais disposta a pagar por moda sustentável, sendo que 90% dos entrevistados contaram que fizeram mudanças em suas rotinas para serem mais sustentáveis. 

Dentro deste contexto de auto expressão, trocam autenticidade, itens de segunda mão ou moda reciclada também tem outro significado. 

As marcas que ouvirem e aprenderem com a geração Z e incorporarem suas necessidades, estarão muito mais preparadas para os desafios futuros. 

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