Embalagens est-éticas!


Desde as possibilidades orgânicas de design, passando pela indelével necessidade do toque (pegar), chegando ao manuseio reiterado, a embalagem é a mais corpórea e direta manifestação de marca

Algumas ações recentes da indústria de consumo me fizeram refletir sobre a evolução que as embalagens tiveram ao longo dos tempos. De início sua função estava condicionada ao fracionamento, proteção e transporte dos produtos. Com o desenvolvimento do mercado e o surgimento dos varejos de autosserviço emblemado pelos supermercados, ampliaram-se as funções, passando à dimensão promocional. A embalagem “sozinha” diante do consumidor (sem a intermediação de um vendedor), deveria ser capaz de chamar a atenção e, de preferência, funcionar como um comercial relâmpago levando o consumidor à ação de compra.

Além dessas funções, que não foram descartadas, ao contrário, vêm sendo encapsuladas, uma nova dimensão surge, agora apoiada em dois movimentos: desenvolvimento das tecnologias de produção e evolução dos materiais de um lado (indústria), e maior abertura às experimentações estéticas por outro lado (consumidor). Me refiro à dimensão sensível-expressiva de valores sociais que fundamentam posicionamentos de marcas conectados com o espírito do tempo.

Recentemente a Skol, tradicional marca brasileira de cervejas, lança a linha especial Skolors, inspirada no posicionamento da marca “Viva a diferença”, com 5 embalagens coloridas, em tons que simulam a diversidade de tons de pele dos brasileiros. Claramente uma iniciativa que reforça o posicionamento de valorização da diversidade étnica da marca em conexão com os valores sociais mais contemporâneos.

 

Em direção reflexiva semelhante, mas com outra exploração conceitual, a marca Dove, alicerçada há mais de uma década na “real beleza”, lança na Inglaterra, uma edição especial de embalagens de sabonete líquido com 7 formatos diferentes, com explorações em design corpóreo e fetichista de ampla diversidade. Fica a mensagem “para todos os corpos, para todas as belezas”, sobrepondo por meio da embalagem uma série de outras ações comunicacionais que expressam o posicionamento de Dove no mundo.

Quando refletimos sobre essas ações notamos a integração de múltiplas perspectivas expressivas: a estética (embalagem) manifestando a ética (valores sociais, no caso a diversidade étnica e de corpos) à favor da lógica (comportamento de adesão, compra, uso etc.). Esta integração fica ainda mais sofisticada em termos de potência quando notamos que a embalagem é a expressão marcaria mais humanizada.

Desde as possibilidades orgânicas de design, passando pela indelével necessidade do toque (pegar), chegando ao manuseio reiterado, a embalagem é a mais corpórea e direta manifestação de marca. E mais, todo esse jogo corpóreo é estendido no tempo, compra, transporte, uso, guarda, exposição, descarte… Uma embalagem mídia, uma embalagem est-ética!

 

Fonte: Meio e Mensagem

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