Por que você nunca foi entrevistado por um instituto de pesquisa


Pesquisa

Você conhece algum ganhador da Mega-Sena? Premiação de supermercado, já encontrou um vencedor? Então vamos ao terceiro não certo: você já foi entrevistado em uma pesquisa eleitoral?

Ter sua opinião computada em uma pesquisa eleitoral de um grande instituto do Brasil é para poucos. Os eleitores eleitos precisaram de tanta sorte para ser encontrados e aprovados que, definitivamente, é mais prazeroso apostar e esperar o resultado da loteria.

Para começar, quando um instituto decide iniciar um levantamento, o candidato a entrevistado tem de torcer para que seu bairro entre na lista dos locais que vão receber as equipes. Vamos ficar só nas eleições municipais, ok, para manter alguma chance.

Escolhido seu bairro, é preciso que sua rua esteja no campo ‘iluminado’, isso porque um pesquisador tem uma área específica para se deslocar e não pode ir além daquela região. O Datafolha, por exemplo, em pesquisas no município de São Paulo, sorteia 90 pontos entre 4.000, predeterminados de acordo com dados do censo do IBGE e informações dos tribunais eleitorais (TRE e TSE). Em levantamentos nacionais, são 50.000 pontos espalhados pelo país.

Só 7?!

A diretora executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, não nos deixa alimentar falsas esperanças: “Na nossa última pesquisa em São Paulo, por exemplo, escolhemos 172 pontos na cidade (entre 18.363 estabelecidos pelo instituto) e, em cada um, em média, fazemos apenas sete entrevistas.”

Voltando à seleção, vamos imaginar que deu tudo certo até agora, seu bairro e sua rua foram selecionados e é só questão de tempo para, enfim, você ter sua opinião exposta ao mundo. Não é bem assim. No caso do Ibope, uma a cada seis casas apenas recebe a visita do pesquisador (80% a 85% das entrevistas do instituto são feitas nas residências, e o restante, se for preciso, ocorre em abordagens nas ruas).

Para o Datafolha, que faz pesquisas com pedestres, você precisa acertar a calçada, aproveitar o momento em que nenhum outro aspirante a eleitor com voz esteja dando sua opinião e… torcer para não ser barrado na grade de idade e sexo.

Não pode mentir a idade

“O pesquisador é instruído a, depois de cada questionário, abordar a primeira pessoa que fitar. O entrevistado passa, então, por um filtro de cota de sexo e idade para garantir a representatividade da amostra segundo o perfil do eleitorado”, explica Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do instituto Datafolha.

No Ibope, você pode até entrar na grade idade/sexo, porém ainda precisa caber no critério socioeconômico. Assim, o pesquisador pode estar atrás de um cidadão entre 25 e 34 anos e sexo masculino, encontrá-lo em sua casa e dispensá-lo logo em seguida porque necessitava de um eleitor que também tivesse curso superior e renda entre 2 e 5 salários mínimos.

“É muito difícil mesmo ser entrevistado”, admite Márcia Cavallari, do Ibope. “Muita gente me pergunta por que nunca foi abordada”, diz. Pelos cálculos do  instituto, em uma pesquisa recente em São Paulo, na qual foram coletadas 1.024 opiniões, a probabilidade de um paulistano ser escolhido foi de 0,0001288%.

É bingooo!

Você não desiste e acredita mesmo que pode se enquadrar em tudo isso? Então, para tentar ajudá-lo e evitar a sensação de ter ficado por um número para fechar a cartela do bingo, siga algumas dicas essenciais:

Fuja do Fla-Flu — Se você acha superpolitizado andar com aquele bóton do PSDB, tem orgulho da tatuagem “Tchau, Querida” ou acha descolado usar a camiseta com um Lula estampado, você será vetado assim que o pesquisador sacar esses detalhes. Não é permitida qualquer associação com mensagem política ou partido.

Evite a multidão — Os pesquisadores só fazem entrevistas individuais. Assim, se você estiver com um amigo ou parceiro, tudo bem colocarem-no de lado por alguns instantes. Grandes grupos, no entanto, têm menos chances de ser abordados.

Se for opinar, não beba —  Saiu da balada e exagerou na bebida, está fora. Pesquisador não anda com bafômetro, mas é treinado para encontrar eleitores que passaram dos limites.

Não pareça um maluco — Não cante na rua, não grite. Os institutos treinam seus funcionários para evitar pessoas alteradas por qualquer motivo.

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Cinco obstáculos entre você e os institutos de pesquisa

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Primeiro obstáculo a ser vencido: seu bairro precisa ser escolhido

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Depois de seu bairro ser eleito, torça para sua rua estar na região (um quadrilátero com quatro, cinco ruas) selecionada pelo instituto de pesquisa

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Cruze os dedos para baterem na sua porta ou para você dar a sorte (ou armar tudo direitinho) para passar na frente do pesquisador quando ele estiver livre

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O mais difícil já passou: você foi abordado. Mas os pesquisadores não entrevistam quantas pessoas e no perfil que eles querem. O problema é se encaixar na grade de idade/sexo que falta àquela equipe  — quanto você ganha e quanto tempo estudou também podem ser critérios para eliminá-lo

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Encaixou na grade, aleluia! Quase tudo certo. Quase porque você não pode ser ligado a um partido político, não pode ter bebido ou estar alterado por qualquer motivo e, principalmente, no seu caso, não pode dar a entender que se ofereceu para ser entrevistado

 

Fonte: VEJA

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Um comentário sobre “Por que você nunca foi entrevistado por um instituto de pesquisa

  1. Nos recenseamentos do IBGE que ocorrem de dez em dez anos, parece-me que há o objetivo de uma consulta socioeconômica por domicílio. O IBGE coloca nas ruas um verdadeiro batalhão de milhares de entrevistadores temporários para essa missão. Todos os dados coletados são catalogados num computador e, por isto, servem para consulta por outros órgãos de pesquisa. Creio, SMJ, que a totalidade dos brasileiros está agrupada em categorias social e econômica, e que as pesquisas de opinião escolhe locais onde pode identificar uma tendência que, na média, representa a opinião daquele grupo social. Assim, ela toma por base a opinião da cidade, do campo, dos subúrbios e das favelas, cada grupo com um peso específico. Alguém mais entendido poderia esclarecer melhor.

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