Startup desenvolve sistema online de planejamento estratégico


COBLUE oferece ferramentas de inteligência de mercado e consultoria com o propósito de garantir mais competitividade aos negócios e reduzir a cultura do “jeitinho brasileiro”

Empreendedores são, muitas vezes, movidos por paixões ou pela necessidade e acabam deixando de lado uma parte fundamental e estratégica para qualquer negócio: o planejamento. Às vezes por falta de tempo, de método ou mesmo de conhecimento das ferramentas de Marketing disponíveis, a empresa é gerida de forma intuitiva e pouco profissional. Ao enxergar esse problema como uma oportunidade de oferecer um serviço – que tem como propósito melhorar a performance de startups, MPEs e iniciativas de profissionais liberais-, George Eich fundou a COBLUE, que está em operação desde janeiro.

A empresa vende consultoria em planejamento estratégico e inteligência de mercado em um sistema inteiramente online. Para ter acesso ao passo a passo para a elaboração de um plano de negócio e de ação, é preciso pagar uma assinatura mensal, cujo preço é definido pelo próprio cliente, de acordo com as suas possibilidades de pagamento no momento. Há ainda a necessidade de desembolsar R$ 699,00 por uma consultoria de quatro horas, na qual o empreendedor será orientado a como usar o sistema e a que deve ter atenção para conquistar bons resultados.

O objetivo da COBLUE é fazer com que os gestores de startups troquem o achismo por pesquisa de mercado, análise de cenários e informação para tomada de decisão. Assim se tornarão mais competitivas. “No passado, tive uma agência de publicidade e sofri muito com a falta de planejamento das empresas que contratavam meu serviço. Cheguei a perder clientes porque pedia um posicionamento mais claro, já que só assim a campanha seria mais efetiva”, conta George Eich, CEO da COBLUE, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Serviço propício para o momento econômico
A startup de Santa Catarina seguiu suas próprias orientações. Para iniciar a operação, partiu de uma pesquisa que apontou as principais falhas cometidas pelos empreendedores. O primeiro obstáculo enfrentado pelas empresas é o mercado altamente competitivo com que as MPEs se deparam. Não há chance para amadorismo. O momento político e econômico agrava as dificuldades em sobreviver sem um planejamento e com um plano de ação alinhado com cada ameaça e oportunidade de mercado.

A COBLUE ainda identificou um problema cultural entre os negócios do país: o famoso “jeitinho brasileiro”, que surge justamente da falta de planejamento e conhecimento do setor em que atuam. A dificuldade passa também em conseguir, com um poder financeiro ainda baixo, capacitar-se, explorar oportunidades, desenvolver a empresa e criar um planejamento estratégico inteligente. Com base neste último ponto, a consultoria da COBLUE encontrou na internet seu melhor canal de atuação, já que assim o serviço pôde ser viabilizado a um valor mais acessível do que os concorrentes que atuam off-line.

O sistema também busca reunir as ferramentas tradicionais do Marketing, como Matriz Swot, Canvas e Business Model Generation, combinando-as com a filosofia da cultura startup, um novo jeito de se construir empresas que vem se destacando no mercado. A proposta é misturar a inovação com o tradicional, seguindo três passos principais: A análise do ambiente competitivo; a validação de hipóteses, o aprendizado e a modelagem do negócio; e os objetivos, metas e o plano de ação.

Criação de uma cultura de planejamento
Além de oferecer instrumentos para uma gestão profissional, a COBLUE busca criar uma cultura do planejamento dentro das empresas, para que o documento sempre periodicamente revisitado e atualizado. “Os empreendedores precisam pensar estrategicamente. Não automatizamos quase nada, para criar essa cultura. Muitas empresas que fazem planejamento estratégico o deixam na gaveta ou se atém apenas à parte financeira, ignorando questões importantes a serem analisadas”, ressalta George Eich.

Em um mês de atuação, a startup contava com 15 clientes. A expectativa é que, ao fim do primeiro ano, a empresa conte com 163 assinaturas, conquistadas por meio do boca a boca e por uma divulgação inteiramente online. Além dos empreendedores, muitos alunos e professores universitários demonstraram interesse em usar a ferramenta, o que já faz com que a COBLUE pense sobre uma oferta mais adequada às demandas desse grupo.

A companhia também estuda como será a forma de cobrança a partir do segundo ano de uso. É possível que a empresa mantenha o preço aberto para a decisão do cliente, do quando consegue pagar, mas esse modelo pode mudar, já que, dependendo do setor no qual atue, cada empresa seja capaz de perceber mais funcionalidade em algumas ferramentas do sistema do que em outras. “Estamos estudando a possibilidade de criar módulos, que poderiam ser vendidos separadamente, de acordo com o interesse de cada negócio”, explica o CEO da COBLUE.

*Com reportagem de Bruno Mello.

Fonte: Mundo do Marketing

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